Existe sempre algo que permanece, um vestígio, uma memória, uma transformação, uma relação ainda ativa entre paisagem, comunidade, ecossistema e tempo.
A exposição parte dessa condição de continuidade, onde o lugar deixa de ser entendido como cenário fixo para se tornar matéria viva e em permanente reconfiguração. lugar-depois não sugere apenas uma sequência temporal, mas um estado contínuo, um lugar que existe depois da obra, depois da presença e depois das formas convencionais de pensar território, Museu, criação e produção contemporâneas.
Num mundo em que as crises ecológicas, a perda de biodiversidade, as desigualdades globais e as transformações climáticas e geopolíticas redefinem a relação entre humanidade e território, lugar-depois convoca a arte como linguagem crítica para pensar o que herdámos, o que destruímos e o que, ainda, podemos cuidar.
No Museu Zer0, Aqui, reunimos artistas cujas práticas atravessam instalação, som, media arte e experimentação contemporânea, a exposição propõe o Barrocal Algarvio como espaço ativo de criação e pensamento situados, onde este lugar de rara singularidade demonstra que é precisamente nos lugares com identidade própria que o pensamento diferenciado acontece, e onde a arte transforma o invisível em urgência viva e partilhada.
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Fátima Marques Pereira
03.06.2016